quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Resenha: Antes que Seja Tarde


Antes que seja tarde não é apenas uma autobiografia, mas sim a história de heróis inconformados com a injustiça que assola seu povo. No livro podemos conhecer Mattew Cork que narra sua viagem á Índia e sua paixão pelos desfavorecidos. Joseph D’ Souza que abriu mão de sua posição superior por amor á uma moça, começando assim a luta pela liberdade dos Dalits. Udit Raj, um jovem inteligente que não aceitou seu destino e mostrou que todos temos o direito de escolha. Tantos nomes citados e testemunhos incríveis, é difícil não se emocionar, e não querer fazer parte dessa história, o movimento de libertação dos dalits.

Cada pessoa no livro é crucial, mas Mattew Cork, foi o responsável por nos apresentar uma realidade diferente na qual pudéssemos nos envolver e não só termos o conhecimento. Ele nasceu em um lar cristão, cresceu e se tornou um homem exemplar, mas sentia que algo faltava e almejava sair da sua zona de conforto para descobrir o que era. Foi então que um povo esquecido do outro lado do mundo impactou totalmente sua vida.

  “Em vez de me conformar com as expectativas que me cercavam (muitas delas produto da minha imaginação), eu precisava ser transformado: das práticas previsíveis da religião para tornar-me um autêntico seguidor de Cristo.”

Jesus nos ensina que para viver uma vida que agrada a Deus não podemos concentrá-la apenas em nós mesmos. Devemos nos importar com os outros, essa é a verdadeira religião. Na descoberta do propósito de vida de Mattew, somos transportados ás vilas indianas e depois que andamos por aquelas ruas improvisadas e casas mal estruturadas, com inúmeras crianças suplicantes, quer pessoalmente ou por meio da leitura não conseguimos ser indiferentes ao dilema do povo "Intocável".

“Dalits são considerados escravos. Espera-se que eles sirvam ás castas superiores. O induísmo ensina-lhes que o drama deles é resultado de algum crime terrível cometido em uma vida passada. A posição que ocupam na sociedade é seu destino. Pensar em fugir disso seria violar a regra do carma, a lei da causa e efeito, e tal infração nesta vida resultaria em um sofrimento ainda maior na próxima. O destino é a casta. São o que são: escravos. Para quem a única esperança está em aceitar esta vida, vivê-la em obediência e, talvez, na próxima, pode sair-se melhor. As castas superiores se beneficiam desse sistema. O trabalho é realizado com baixo ou nenhum custo. Algumas funções necessárias são consideradas formalmente impuras. Por exemplo, em um país no qual praticamente não há sistema de esgoto, é função dos dalits retirar dejetos humanos e animais de bairros inteiros. Papel que desempenham por milhares de anos em uma nação densamente populosa... As atividades contaminam o trabalhador, tornando-o impuro. Intocável. Por centenas de anos, a determinação de separação, isolamento e distância permanecera firme em seu lugar."

O sistema de castas já foi abolido pelo governo, porém a sociedade indiana não quer abrir mão das suas tradições, mesmo que para isso milhares de inocentes tenham que sofrer as consequências. Os Dalits não tem acesso á educação, ou mesmo aqueles que conseguem estudar não podem concorrer a cargos melhores, não tem direito a recorrer á justiça e nem ter plano médico. Inúmeras crianças são vítimas de prostituição e tráfico. Eles não podem reclamar do seu destino, porque NEM SÃO CONSIDERADOS HUMANOS. 

Mas há esperança para a futura geração, através da educação e do conhecimento que revela o valor dessas pessoas e o quanto são dignas e amadas.

Alguns países, inclusive o Brasil, também demonstraram apoio e se comprometeram a ajudar na criação de escolas para as crianças, ao decorrer das páginas podemos ver que muitas delas tiveram suas vidas transformadas, entretanto, ainda é preciso muito mais.

A conclusão que o autor chega é a seguinte: há Dalits sofrendo bem perto de nós também, na nossa rua, no bairro vizinho, em cidades próximas. Todos anseiam por liberdade, das drogas, da violência, da pobreza... E Deus deseja libertá-los! Somos apresentados á diversos projetos revolucionários, basta cada um de nós abraçarmos esse movimento em favor dos necessitados e vivermos como Cristo nos ensinou, pois "Nenhum de nós está livre enquanto uns são escravizados."

Ultimamente tenho desejado ler livros sobre causas sociais, leituras que provocam a mudança e que nos impele a fazer algo bom pelo mundo, e isso tem acrescentado muito á minha vida, é motivador. 

“Todavia, quando somos capturados por um propósito, a negação se torna afirmação. A negligência se torna foco. Sim. É um problema. Sim. Farei algo. Não amanhã. Nem no mês ou ano seguinte ou quando eu tiver terminado com todo o resto. Não qualquer dia, mas hoje. Antes que seja tarde!”

Se você assim como eu se interessou pelo assunto e quer saber mais sobre a desigualdade social dessa nação exótica e impressionante, clique nos links de pesquisa abaixo. Também há um filme com o mesmo nome, é ficção mas descreve bem o drama das crianças dalits. 

Dalit Freedom Network http://dalitnetwork.org/
Dalit Freedom Network Brasil https://www.dfnbrasil.org/
Ministério Portas Abertas Perfil Índia https://www.portasabertas.org.br/listamundial/perfil/india/
      Informações sobre o livro e o filme:
http://www.gracaeditorial.com.br/antes-que-seja-tarde/

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Resenha do Livro: Desafio - C.J. Redwine




  Quero frisar que o livro é uma distopia e que tem tudo para conquistar os leitores como me conquistou.

A história pós-apocalíptica é relatada após um terrível ataque de criaturas á crosta terrestre, provocando uma onda de terror entre a população. Várias organizações se unem para salvar a espécie humana e em meio a guerra entre feras e homens, poucos são os sobreviventes.
Os remanescentes se refugiam entre as muralhas das cidades, longe das terras devastadas que servem de abrigo para o Maldito, a única fera sobrevivente que misteriosamente nunca ataca o governante da Cidade-Estado de Ballboden, e em troca de segurança muitos ficam a mercê da sua tirania.

"- Eu sou a única coisa que mantém essa cidade a salvo. Você se atreve a me questionar?"


A protagonista Rachel tem sua vida abalada após o desaparecimento de seu pai,  em uma missão pelas terras ermas. Depois de sessenta dias do prazo estipulado para o seu retorno, ele é declarado oficialmente morto e apesar da garota não acreditar na morte do melhor mensageiro da cidade, devido as leis impostas pelo governante terá que se submeter a um novo guardião. Uma espécie de guarda-costas para as mulheres, que sempre as acompanham em suas atividades. A mulher que sair desacompanhada é penalizada com a morte.
No entanto, a ruiva não imaginaria que em testamento seu querido pai a colocaria sob os cuidados de Logan, um garoto de dezenove anos que era seu aprendiz e que ela jurou odiar devido algumas questões do passado. 
Com um espírito independente, a garota treinada para lutar em uma cidade onde as mulheres são submissas e criadas somente para servir seus futuros maridos, se vê presa a uma trama de conspirações e luta para resgatar seu pai.

"- Não sentir nada além da fúria e determinação me fortalece. Em breve, o comandante vai saber exatamente o quanto ele me fortaleceu." 

A personalidade de Rachel é bem marcante, a garota demonstra ser bem geniosa, mas nada que deixe a personagem difícil de aguentar e acredito que nos próximos livros haja um crescimento significante.
Um ponto que quero destacar é a personalidade de Logan que também é protagonista, ele me conquistou de imediato. Um homem inteligente que busca de todas as formas ajudar aqueles que ele considera como sua família e lutar por justiça. É realmente fofo como ele tenta se convencer de que não está apaixonado pela Rachel.

"... A submissão silenciosa diante da tirania não era melhor do que a aceitação explícita."


O livro é o primeiro de uma trilogia que foi traduzido pela editora Novo Conceito em 2014, mas que infelizmente não tem uma data para o lançamento da sequência.


terça-feira, 12 de setembro de 2017

Resenha: Julieta Anne Fortier - Editora Arqueiro



 Imagine se você que nunca teve sorte no amor, descobrir que tem parentesco com a Julieta de Shakespeare? Estaria em choque não? E mais... Você na verdade tem o mesmo nome da heroína, ganha uma passagem para conhecer suas origens, recebe uma caixa que contém um diário e a história real que inspirou o bardo. 

Isso aconteceu com Julie Jacobs, uma cidadã americana que descobre que se chama Giulietta, nome esse que deu origem ao personagem. A vida sem graça de Giulietta se transforma do dia para a noite depois disso, a então moça sonhadora e romântica que vive á sombra da irmã gêmea, vai embarcar sozinha em uma aventura cheia de antigas maldições, belíssimos castelos e corridas de cavalos na apaixonante paisagem Italiana.
Quem sabe de quebra conhecer o seu Romeo? 

Ao chegar em Siena a garota é bem recebida pela socialite Eva Maria, uma antiga conhecida da família, madrinha de Alessandro Santini capitão da guarda e playboy que a trata com indiferença e desconfiança. Ao se conhecerem Sandro e Julie trocam farpas, mas com a convivência ele demonstra ser gentil e protetor despertando um interesse na garota. 
Porém com a incrível descoberta de um descendente de Romeo, que nasceu na mesma época que ela. Quem será que esta Giulietta moderna vai escolher, Romeo ou Páris? Será que ela está fadada a mesma sina ou será capaz de escrever sua própria história? 


"Bem, receio que fique desapontada, Ele não se parece em nada com o Romeo que você acha que conhece. Não faz amor em versos rimados. Pode acreditar em mim: é um verdadeiro safado. Se eu fosse você – disse, finalmente olhando para mim –, desta vez dividiria a sacada com Páris."


O crescimento da protagonista é nítido durante a trama e os personagens secundários também se desenvolvem, como no caso da irmã gêmea Janice, que no início parece bem supérflua, mas depois mostra o seu valor e senso de humor. Cada vez que a protagonista avança em suas descobertas e nas intrigas familiares, mais a história se torna interessante e o leitor percebe que nada e nem ninguém é o que parece, muitos mistérios são garantidos. Narrado em primeira pessoa, intercalando presente e passado a autora traz um enredo jamais visto de Romeo e Giulietta. 

Quero despertar a sua curiosidade, porque esse é daqueles livros que a gente lê, ama e indica de tão maravilhoso. Além de bem elaborado, é cheio de reviravoltas, surpresas e muito romance. A riqueza de detalhes é tão convincente que nos faz pensar que estamos caminhando pelas ruas da Itália. Essa não é apenas uma releitura de um clássico de Shakespeare, Anne Fortier nos mostra em sua obra de estreia que tem o dom para a escrita e que tem dedicação na construção de um enredo inovador. Fãs do clássico não se decepcionarão! 
Entrou com certeza para a lista dos meus favoritos e não vejo a hora de que vire filme tão fiel ao livro. 


"Estou aqui por não poder manter-me afastado. Não quereis olhar para mim?
Ela fez uma pausa, obrigando-se a permanecer imóvel: – Por que deveria olhar-vos? Vossa alma é tão inferior assim ao vosso corpo?
– Eu não conhecia minha alma – disse Romeo, baixando a voz como quem falasse ao coração dela – até vê-la refletida em vossos olhos." 
Imagem do filme Romeu e Julieta de 2013 com os lindos Douglas Booth e Hailee Steinfeld

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Resenha: A Profecia de Mídria - Série Os Mistérios de Warthia



"Infelizmente ainda há um preconceito pela literatura nacional, muitos tem a preferência em adquirir livros estrangeiros, principalmente o gênero fantástico. Mas devemos dar uma chance para nossos autores, pois podemos nos surpreender... Como no caso de A Profecia de Mídria."

Serafine Delay foi deixada na porta de um casal quando era bebê, logo eles perceberam algo incomum: havia desenhos em tons perolados em sua pele. Adotaram a criança, e para protegê-la de comentários maldosos a mãe preparou um creme que escondia suas marcas, e as roupas que usava cobriam o máximo possível seu corpo.

A garota vivia feliz na pacata vila do sol, tinha uma melhor amiga, tudo estava aparentemente normal, porém se sentia deslocada e inquieta. Mas quando estava prestes a completar 18 anos a morena é surpreendida com um ataque á sua vila, seres malignos estavam dispostos a destruir tudo e sequestrá-la.



   
  No entanto, dois forasteiros intervêm à seu favor nesta luta e a resgata das mãos dos inimigos. Grandes revelações sobre sua origem obrigam Serafine a deixar tudo para trás para que uma nova e perigosa jornada se inicie.
   Denise Flaibam nos apresenta Warthia, um mundo fascinante e rico em detalhes que nos envolve totalmente já nas primeiras páginas. Cenas de ação bem elaboradas e muito mistério é garantido, e os personagens tem características marcantes e inesquecíveis.


     
 Como nosso amor pela série é grande, estamos preparando nosso primeiro sorteio no instagram: @literaria.raposinha Um livro A Profecia de Mídria primeira edição (O verdinho) mais dois marcadores. 
Gostaram? Sigam a gente no Insta e fiquem atentos.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Resenha: A Fúria e a Aurora - Renée Ahdieh


" Meu rei.
Viverei para ver o pôr do sol de
amanhã. Não se deixe enganar. Juro
que viverei para ver tantos pores de sol  quanto for necessário.
E eu o matarei.
Com as minhas próprias mãos."

              Renée Ahdieh nos surpreende com este grande enredo,  que é inspirado no clássico As mil e uma noites. É fascinante como a autora detalha minuciosamente a história de Sherazade que busca vingar a morte de sua melhor amiga Shiva pelas mãos do misterioso Califa que assassina suas esposas na aurora após seu casamento. 
             Movida pelo ódio, Shazi se voluntaria para ser a próxima noiva, mas não será para morrer e sim para acabar com a vida do menino-rei. 
            A cada aurora traz terríveis surpresas na vida da garota que encontra uma forma inusitada de se manter viva e atacar seu inimigo, enquanto seu amigo e amado Tariq busca de todas as maneiras tira-la das garras do marido louco antes de seu assassinato. 
           Uma aliança para destronar o rei começa a se formar e talvez seja um prelúdio de uma cidade livre de seu tirano. Porém o que ambos não esperam é que o povo pode estar sofrendo por algo mais terrível  do que um insano governante, pois há algo sombrio intricado no Califa que Shazi fará de tudo para descobrir.

Mas até que ponto ela iria por uma vingança?


     A personalidade marcante de Sherazade dá a história um agradável encanto, nos permitindo ter um novo olhar sobre este clássico que é impossível não se apaixonar. Com a extrema coragem ao enfrentar as constantes ameaças a sua vida, e ao mesmo tempo conviver com os costumes palacianos, Shazi é uma grande de guerreira, determinada em seus princípios. 
     Entre os personagens masculinos,  Rahim e Jalal me cativaram desde o início pela forma com que ambos prezam a amizade de seus amigos a ponto de se arriscarem nesta loucura de resgatar a luz  talvez perdida em um grande palácio cercado de mistérios. 
     Ao Califa, só há uma coisa a declarar: Um mistério de olhos âmbar que parece perscrutar cada um que está a sua volta, um monstro perdido em um turbilhão de emoções. 

Vale a pena conferir...




sábado, 8 de julho de 2017

Resenha: Tal mãe, tal filha - Clara de Assis


 Allisson Hamilton é uma produtora de moda que ama o seu trabalho. Nada além de crescer profissionalmente e ser reconhecida passa pela cabeça da garota. Seu foco está nisso, e ela trabalha com empenho. Até que... Um encontro desajeitado com seu vizinho de prédio, sério e boa pinta, e um esbarrão em uma menina rebelde de dez anos ameaça seus planos. E para completar, sua chefe lhe oferece uma proposta: Ela precisa apresentar sua filha á equipe da revista para qual trabalha. Mas ela não tem uma filha!


Então uma ideia louca surge na cabeça de Allison, e ela faz um acordo com Amy, que passa a ser sua "filha" mas ela não imaginaria que se afeiçoaria tanto à menina e ao pai dela. Algumas confusões aguardam a garota, mas ela não estará sozinha para resolver tudo...

O livro tem algumas reflexões: Como o bulling e relacionamento familiar. Allison é uma personagem esforçada, desastrada e de bom coração. Apesar de se vestir muito bem e ter um vasto conhecimento sobre moda, ela tem algumas inseguranças que remete ao passado e á sua família. Amy é arteira, mas também tem um bom coração, por isso ela e Allison se deram bem logo de cara. E o John é bem desconfiado, um pai ausente, mas faz tudo para proteger as mulheres da sua vida.

A autora trata dos fantasmas de cada personagem principal, porém faltou um pouco mais de conteúdo em alguns personagens secundários. E o número de pessoas ao redor da protagonista querendo derrubá-la foi excessivo, tardando um pouquinho a conclusão dos acontecimentos, mas nada que comprometa a trama.

Gostei do livro, a autora escreve bem, indico para quem gosta de histórias engraçadas, românticas e com algumas pitadas de reflexão. 

Você encontra o livro aqui : Tal Mãe, tal Filha - Clara de Assis

Por Michele Barreto